07/01/2024 às 17h48min - Atualizada em 07/01/2024 às 17h48min

'Até quando?’: Governador critica ‘saidinha’ e afirma que a lei precisa ser revisada

sargento da Polícia Militar Roger Dias da Cunha, de 29 anos, que foi baleado na cabeça durante uma perseguição policial em Belo Horizonte na noite de sexta-feira (5)

Foto: Reprodução
O sargento da Polícia Militar Roger Dias da Cunha, de 29 anos, que foi baleado na cabeça durante uma perseguição policial em Belo Horizonte na noite de sexta-feira (5), tem quadro irreversível. O militar está internado no Hospital João XXIII em estado gravíssimo, com dois projéteis alojados no cérebro.

O sargento foi atingido por disparos à queima-roupa na noite dessa sexta-feira (5), quando guarnições do 13º Batalhão perseguiam dois suspeitos na Avenida Risoleta Neves. Em dado momento, o motorista teria perdido o controle da direção e batido contra um poste. Após o acidente, os suspeitos desceram do carro e continuaram a fuga a pé.

Um deles foi alcançado por um sargento. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o militar se aproxima do suspeito e da ordem de parada, mas é surpreendido pelo criminoso, que saca uma arma e atira à queima-roupa contra o policial.

O militar foi socorrido por colegas para o Hospital Risoleta Tolentino Neves, em Venda Nova, mas dada a complexidade do caso, foi encaminhado ao João XXIII. O militar tem 29 anos e atua na Polícia Militar há cerca de 10 anos. Ele é pai de uma criança recém nascida.

O criminoso que atirou no sargento, um homem de 25 anos, foi preso em flagrante. Ele estava em saída temporária do sistema prisional no dia do crime. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o acusado é custodiado e entrou no Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de BH, no dia 24 de agosto de 2023, há pouco mais de quatro meses.

A Justiça decidiu por manter presos os dois homens suspeitos de envolvimento na perseguição que terminou com o sargento baleado. O atirador de 25 anos e um comparsa dele, de 33, tiveram a prisão em flagrante convertida para preventiva em audiência de custódia neste domingo (7).

A juíza Juliana Miranda Pagano considerou que as circunstâncias do crime são “gravíssimas”, argumentando que, além do sargento baleado, outros policiais teriam sido alvos da dupla, que atirou contra a viatura policial. "Foi necessária uma mobilização policial complexa e longa para captura dos autuados, os quais agiram em evidente violência real e direta contra os policiais militares", diz o documento.


O caso gerou comoção e revolta na sociedade. O governador Romeu Zema (Novo) voltou a usar as redes sociais para comentar sobre o caso. "Leis ultrapassadas podem tirar a vida de mais um policial em Minas. Bandidos com histórico de violência são autorizados para “saidinha”, que resulta em insegurança pra todos brasileiros. Passou da hora disso acabar. A mudança tá parada no Congresso. Até quando?", comentou o governador.


O sargento Roger Dias da Cunha é o segundo policial militar a ser baleado na cabeça durante uma perseguição policial em Belo Horizonte em menos de um mês. No dia 2 de dezembro, o cabo da PM Rafael Henrique Guimarães de Souza, de 30 anos, foi baleado na cabeça e morreu no local. O criminoso que atirou no cabo, um homem de 22 anos, também estava em saída temporária do sistema prisional.

O caso do sargento Roger Dias da Cunha reacendeu o debate sobre as saídas temporárias do sistema prisional. A legislação brasileira permite que presos em regime semiaberto saiam da prisão por até sete dias por ano, em datas comemorativas como Natal, Páscoa e Dia dos Pais.

Críticos da medida argumentam que as saídas temporárias aumentam o risco de violência, pois permitem que criminosos com histórico de violência retornem às ruas. Defensores da medida argumentam que ela é importante para a reinserção social dos presos e que a maioria dos presos que saem em saída temporária não comete novos crimes.
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