06/04/2023 às 11h17min - Atualizada em 06/04/2023 às 11h17min

Veja como foi o depoimento de Bolsonaro à PF

O ex-presidente informou que só teve conhecimento do envio das joias como presente do príncipe Saudita 14 meses depois de elas terem chegado ao Brasil.

Redação
Foto: Reprodução

Em depoimento à PF que durou cerca de 2 horas e 30 minutos, Bolsonaro foi questionado sobre os conjuntos de joias e armas que ganhou em 2019 e 2021. Ao dar sua versão sobre o pedido a Mauro Cid, seu ajudante de ordens na Presidência, ele deixou claro que não houve tentativa de reaver as joias e afirmou ter falado sobre o assunto com Mauro Cid durante o pedido.

Bolsonaro disse em depoimento ainda ter falado por telefone, no final do ano passado, com o chefe da Receita Federal, Julio Cesar Vieira, sobre as joias para que ele entendesse as etapas do processo. Estava acompanhado de advogados e de seu ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten.

O tenente-coronel Mauro Cid foi ouvido em São Paulo. Houve pelo menos três advogados auxiliando Bolsonaro durante dois dias, sendo o início dado na terça-feira (4) em reunião na sede do PL em Brasília. Os advogados Paulo Cunha Bueno e Daniel Tesser foram acompanhados por Fabio Wajngarten. Na terça-feira, os advogados de Bolsonaro devolveram o terceiro pacote de joias em uma agência da Caixa.

Em 2021, o príncipe Mohammed bin Salman Al Saud entregou dois estojos com joias ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, mas não foram declarados como presentes de estado. A Receita Federal diz que todos os produtos com valor acima de US$ 1.000 devem ser declarados ao entrar em território brasileiro. O ex-ministro de Minas e Energia e sua equipe de assessores chegaram ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no dia 26 de outubro de 2021, com um estojo em que estava com um dos assessores, que continha um colar, um anel, um relógio e um par de brincos de diamantes com valor de R$ 16,5 milhões, apreendido pela Receita.

Em um segundo estojo havia uma caneta, um anel, um relógio, um par de abotoaduras e um tipo de terço islâmico, em valores próximos de R$ 500 mil.
Em 28 de outubro de 2021, o gabinete do ex-ministro de Minas e Energia informou ao Departamento Histórico da Presidência da República que estava com os presentes, mas não revelou que outros itens do primeiro estojo haviam sido apreendidos pela Receita. Em 29 de novembro de 2022, os itens do segundo estojo foram entregues ao Gabinete Histórico da Presidência e adicionados ao acervo privado do então presidente Bolsonaro.

O TCU decidiu que o segundo estojo de joias deveria ser entregue junto com um par de armas. Um fuzil calibre 5,56 mm e uma pistola 9 mm com valor de até R$ 57 mil deveriam ser entregues à PF.


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