16/04/2026 às 08h31min - Atualizada em 16/04/2026 às 08h27min

Não é sobre direita ou esquerda: rejeição pressiona Lula, que aposta em retirada parcial da taxa das blusinhas

prática, compras de até 50 dólares passaram a ter 20% de imposto federal, além de ICMS que gira em torno de 17%. Ou seja, aquilo que antes chegava mais barato, passou a chegar bem mais caro.

Sandro Sagar

Sandro Sagar

Jornalista Político e Especialista em Negócios e colunista

Sandro Sagar - vale24horas.com.br

Vou te falar de forma bem direta: poucas decisões recentes mexeram tanto com o bolso do brasileiro quanto a chamada “taxa das blusinhas”.

E aqui não tem segredo técnico, não tem discurso complicado. A lógica é simples.

O governo passou a cobrar imposto sobre compras internacionais   aquelas feitas em sites como Shein, Shopee e outros. Na prática, compras de até 50 dólares passaram a ter 20% de imposto federal, além de ICMS que gira em torno de 17%. Ou seja, aquilo que antes chegava mais barato, passou a chegar bem mais caro.

Acima desse valor, a carga podia chegar a 60% de imposto, com um pequeno desconto fixo.

Quem sentiu isso primeiro? O brasileiro comum.

Aquele que comprava uma roupa mais barata, um acessório, algo simples para economizar no fim do mês. Não foi o grande empresário, não foi a elite   foi o povo mesmo.

E os números mostram isso. O consumo caiu principalmente entre quem ganha menos. Ou seja, a medida pesou exatamente onde não podia pesar.

Só que, ao mesmo tempo, o governo arrecadou bilhões com essa cobrança.

Então veja o cenário:

pesou para quem compra… e ajudou quem arrecada.

Agora, diante do desgaste, começa um novo capítulo.

Depois de defender a medida, o próprio governo já fala em acabar com a taxa. Não parcialmente, não aos poucos   o discurso que começa a surgir é de retirada total.

E aqui entra o ponto de análise, olhando como colunista.

Não é que o governo “descobriu” agora que a taxa era ruim. Isso já estava claro há muito tempo, principalmente para quem sente no bolso.

O que mudou foi o ambiente político.

Quando a rejeição cresce, quando a população começa a reagir e quando decisões começam a cobrar seu preço político, o discurso muda. E muda rápido.

É o velho roteiro: cria-se uma medida, sustenta-se enquanto dá… e depois corrige quando o desgaste aperta.

Só que o brasileiro já não é mais o mesmo de anos atrás.

Hoje, a população entende, compara, acompanha. Sabe quando está pagando mais caro. Sabe quando uma decisão impacta diretamente o dia a dia.

E talvez esse seja o ponto mais importante de tudo.

Não é sobre direita ou esquerda.
Não é sobre ideologia.

É sobre o bolso.

Quando uma política pública pesa no dia a dia das pessoas, ela não fica restrita ao debate técnico. Ela vira assunto de casa, de conversa de família, de decisão de voto.

E é aí que tudo muda.

Se o governo realmente avançar para acabar com a taxa das blusinhas, não será apenas uma decisão econômica.

Será, acima de tudo, uma resposta ao que a população já deixou claro há algum tempo.

Porque no fim, quem decide o rumo de qualquer governo não é o discurso.

É a reação das pessoas.

E essa… já começou faz tempo.

Coluna – Sandro Sagar | Vale24horas

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