Vou te falar de forma bem direta: poucas decisões recentes mexeram tanto com o bolso do brasileiro quanto a chamada “taxa das blusinhas”.
E aqui não tem segredo técnico, não tem discurso complicado. A lógica é simples.
O governo passou a cobrar imposto sobre compras internacionais aquelas feitas em sites como Shein, Shopee e outros. Na prática, compras de até 50 dólares passaram a ter 20% de imposto federal, além de ICMS que gira em torno de 17%. Ou seja, aquilo que antes chegava mais barato, passou a chegar bem mais caro.
Acima desse valor, a carga podia chegar a 60% de imposto, com um pequeno desconto fixo.
Quem sentiu isso primeiro? O brasileiro comum.
Aquele que comprava uma roupa mais barata, um acessório, algo simples para economizar no fim do mês. Não foi o grande empresário, não foi a elite foi o povo mesmo.
E os números mostram isso. O consumo caiu principalmente entre quem ganha menos. Ou seja, a medida pesou exatamente onde não podia pesar.
Só que, ao mesmo tempo, o governo arrecadou bilhões com essa cobrança.
Então veja o cenário:
pesou para quem compra… e ajudou quem arrecada.
Agora, diante do desgaste, começa um novo capítulo.
Depois de defender a medida, o próprio governo já fala em acabar com a taxa. Não parcialmente, não aos poucos o discurso que começa a surgir é de retirada total.
E aqui entra o ponto de análise, olhando como colunista.
Não é que o governo “descobriu” agora que a taxa era ruim. Isso já estava claro há muito tempo, principalmente para quem sente no bolso.
O que mudou foi o ambiente político.
Quando a rejeição cresce, quando a população começa a reagir e quando decisões começam a cobrar seu preço político, o discurso muda. E muda rápido.
É o velho roteiro: cria-se uma medida, sustenta-se enquanto dá… e depois corrige quando o desgaste aperta.
Só que o brasileiro já não é mais o mesmo de anos atrás.
Hoje, a população entende, compara, acompanha. Sabe quando está pagando mais caro. Sabe quando uma decisão impacta diretamente o dia a dia.
E talvez esse seja o ponto mais importante de tudo.
Não é sobre direita ou esquerda.
Não é sobre ideologia.
É sobre o bolso.
Quando uma política pública pesa no dia a dia das pessoas, ela não fica restrita ao debate técnico. Ela vira assunto de casa, de conversa de família, de decisão de voto.
E é aí que tudo muda.
Se o governo realmente avançar para acabar com a taxa das blusinhas, não será apenas uma decisão econômica.
Será, acima de tudo, uma resposta ao que a população já deixou claro há algum tempo.
Porque no fim, quem decide o rumo de qualquer governo não é o discurso.
É a reação das pessoas.
E essa… já começou faz tempo.
Coluna – Sandro Sagar | Vale24horas