09/03/2026 às 16h18min - Atualizada em 09/03/2026 às 16h12min

PCC e CV terroristas? Brasil corre nos bastidores para impedir classificação dos EUA 3.

Por vezes a política internacional parece um tabuleiro de xadrez

Sandro Sagar

Sandro Sagar

Jornalista Político e Especialista em Negócios e colunista

Sandro Sagar - vale24horas.com.br

Por vezes a política internacional parece um tabuleiro de xadrez. Mas no caso do Brasil, às vezes parece mais um jogo de dominó: alguém encosta a primeira peça em Washington e o barulho da queda ecoa em Brasília.

Nos bastidores da diplomacia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, resolveu pegar o telefone e conversar diretamente com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O assunto oficial era a possível visita de Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca para um encontro com Donald Trump. Diplomacia padrão, foto sorridente, aperto de mãos e aquelas frases que parecem escritas por assessores que nunca viram um problema real.

Mas o verdadeiro tema da conversa não era a viagem.

Era o medo.

Segundo informações divulgadas pelo jornal G1, o governo brasileiro tenta impedir que os Estados Unidos classifiquem facções criminosas do país, como o PCC e o Comando Vermelho, como Organizações Terroristas Estrangeiras.

E aqui começa o problema.

Não porque alguém ache que PCC ou CV são clubes de leitura. Muito pelo contrário. São organizações violentas, estruturadas e com poder que desafia o Estado brasileiro há décadas. O ponto sensível é outro.

Nos Estados Unidos, quando um grupo entra na lista de organizações terroristas, a história muda completamente.

Não é apenas sanção financeira. Não é apenas bloqueio de contas. A legislação americana permite algo muito mais pesado: operações unilaterais, uso de inteligência militar e até ação direta do Pentágono contra esses grupos.

Traduzindo para o português claro: se Washington decidir que o PCC virou organização terrorista internacional, abre-se um precedente para operações fora do território americano.

E isso, para diplomatas brasileiros, acende um alerta vermelho.

Fontes ouvidas pela GloboNews, também citadas pelo G1, afirmam que dentro do governo brasileiro existe receio de que o combate ao narcotráfico vire justificativa para ações militares na região.

Quem acha exagero deveria olhar para o que aconteceu recentemente na Venezuela.

Primeiro veio a classificação do chamado Cartel de los Soles como organização terrorista. Depois veio a operação militar no Caribe. Meses depois, um ataque de grande escala resultou na captura de Nicolás Maduro, levado para julgamento em Nova York sob acusações de narcoterrorismo.

Coincidência? Estratégia? Precedente?

Cada um escolha a palavra que preferir.

O fato é que, na lógica de segurança nacional americana, cartéis e narcotráfico passaram a ser tratados cada vez mais como terrorismo internacional. E, sob a gestão de Donald Trump, essa linha ficou ainda mais agressiva.

Para o Brasil, o dilema é curioso.

De um lado, o país convive há décadas com facções criminosas que controlam territórios, movimentam bilhões e desafiam o poder público.

De outro, ninguém em Brasília parece muito confortável com a ideia de aviões americanos decidindo “combater o crime” em solo sul-americano.

É aquele tipo de situação em que todos concordam que o problema existe, mas ninguém quer a solução que pode vir junto.

No fundo, a pergunta que paira no ar é simples e incômoda:

Se o Estado brasileiro não consegue derrotar essas organizações dentro do próprio território, até quando conseguirá convencer o resto do mundo de que isso é apenas um “problema interno”?

Porque na política internacional, como a história já mostrou algumas vezes, quando um país não resolve o próprio caos, sempre aparece alguém disposto a “ajudar”.

E ajuda, em geopolítica, raramente vem de graça.

Fonte das informações: G1 / GloboNews.

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