Dirceu Oliveira, síndico do prédio onde moravam a capitã da Polícia Militar Michelle Leão Azevedo e o marido, o sargento da PMMG Eduardo Abner Pereira de Oliveira, afirmou que as brigas entre o casal eram frequentes. Michelle morreu na noite dessa segunda-feira (20/7), em Belo Horizonte, e Eduardo é apontado como o principal suspeito. O síndico revelou que vizinhos já previam que uma tragédia poderia acontecer a qualquer momento: "Grande parte dos vizinhos já esperava, porque era uma bomba relógio", afirmou.
Segundo Dirceu, as discussões eram mais constantes por parte do sargento. "Tinha briga constantemente, era normal. Mais da parte dele do que dela. A gente via que ela parecia ter vergonha de qualquer tipo de briga. Eu percebia que ela falava bem baixo e que ele era um homem explosivo", contou.
Além das brigas, o síndico afirma que o casal costumava dar festas com som alto que duravam muitos dias. Segundo ele, os vizinhos evitavam reclamar do barulho por se tratarem de dois militares. Em uma ocasião, Dirceu chegou a acionar a corregedoria. "Uma vez que teve uma festa que durou bastante dias eu acionei a corregedoria. Aí eles vieram, mas eles nem ligavam, continuavam as festas normal", completou.
Dirceu conta que um vizinho viu manchas de sangue no chão de um corredor do prédio, em frente ao apartamento do casal, e o chamou para conferir. Ao ver o sangue, ele verificou as câmeras de segurança e viu o sargento carregando a esposa até o carro. Nas imagens, Oliveira aparece saindo do elevador com Michelle inconsciente no ombro, levando-a até a garagem. Minutos depois, ele dá a partida e a porta do passageiro se abre, revelando a capitã ainda inconsciente no banco.
A policial foi levada pelo próprio marido ao Hospital Odilon Behrens, onde a morte dela foi confirmada. O sargento informou que a esposa havia caído de uma escada, mas a equipe médica desconfiou, pois os ferimentos não eram compatíveis com esse tipo de acidente. Diante da suspeita, a Polícia Militar foi acionada e o sargento foi preso. Também foi descoberto que Oliveira descartou uma caixa com comprimidos de ecstasy no banheiro do hospital. Segundo a PMMG, ele afirmou que, antes de levar a esposa ao hospital, os dois participaram de uma festa, consumiram bebidas e drogas, e tiveram relações sexuais consensuais com práticas agressivas.