O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (08/06), a suspensão temporária da estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves registrados pelo sistema nacional de vigilância pós-vacinação. Entre os casos analisados, três pessoas precisaram ser internadas, e duas delas morreram. Segundo a pasta, ainda não é possível afirmar que os eventos adversos tenham sido provocados pela vacina, mas os registros foram considerados um sinal de alerta e serão investigados por especialistas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a interrupção tem caráter preventivo. “Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas”, disse em coletiva. Padilha também defendeu a importância da vacinação e ressaltou a confiança na capacidade institucional do Butantan. A suspensão se aplica somente à vacina do Butantan, não incluindo a Qdenga, fabricada pelo laboratório Takeda e aplicada no SUS.
Até 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan haviam sido aplicadas no país, em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), com público-alvo de 15 a 59 anos. Em fevereiro, o SUS também vacinou profissionais de saúde da atenção primária. Do total aplicado, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue (0,7% dos vacinados). Desses, 42 tiveram sintomas de alarme (0,008%). Três pessoas foram hospitalizadas. Uma mulher de 48 anos desenvolveu comprometimento neurológico e morreu; um homem de 58 anos entrou em choque refratário e também morreu; uma mulher de 39 anos recebeu alta após UTI.
A investigação será conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai). O Ministério informou que a decisão não invalida a eficácia do imunizante e que pessoas já vacinadas seguem protegidas. Pessoas vacinadas nos últimos 21 dias terão acompanhamento especial. O Instituto Butantan informou que seguirá trabalhando para aprofundar as informações sobre o uso da vacina. A vacina apresentou eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave em estudo publicado.