Lessa e Queiroz são condenados pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes
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Um julgamento que durou dois dias, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em 14 de março de 2018. O júri popular, realizado no 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, reconheceu a culpa dos réus por duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa das vítimas), tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves (assessora de Marielle que sobreviveu ao ataque) e receptação do veículo usado no crime.
Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos, foi condenado a 78 anos, 9 meses e 30 dias de prisão. Élcio de Queiroz, responsável por dirigir o carro utilizado no crime, recebeu a pena de 59 anos, 8 meses e dez dias de prisão. Ambos já estavam presos desde 2019.
O julgamento: A sessão foi marcada por momentos de tensão e emoção, com a presença de familiares das vítimas, ativistas e representantes de organizações de direitos humanos. A promotoria, durante sua argumentação, reconstruiu a dinâmica do crime com base em provas periciais e testemunhais, destacando a frieza e a premeditação dos acusados. Imagens do carro de Marielle, crivado de balas, foram exibidas, reforçando a tese de que o objetivo era executar todos os ocupantes do veículo.
A defesa dos réus admitiu a participação no crime, mas buscou minimizar as penas, alegando diferentes graus de envolvimento. O advogado de Lessa argumentou que a colaboração do réu com a justiça, por meio de uma delação premiada, foi fundamental para o avanço das investigações. A defesa de Queiroz sustentou que ele não sabia quem era o alvo da ação criminosa até o momento do ataque.
Depoimentos revelam detalhes do crime: Nove testemunhas foram ouvidas durante o julgamento, incluindo Fernanda Chaves, assessora de Marielle e única sobrevivente do atentado. Em seu depoimento, Fernanda descreveu os momentos de terror que viveu na noite do crime. Familiares de Marielle e Anderson também prestaram depoimentos emocionantes, clamando por justiça.
Nos depoimentos dos réus, Ronnie Lessa afirmou ter recebido R$ 25 milhões para executar o crime, mas não revelou a identidade dos mandantes. Élcio de Queiroz confirmou a versão de Lessa e descreveu como o ataque foi planejado e executado.