Depois de anos de espera, cerca de 1.700 famílias de três bairros da cidade terão a chance de regularizar oficialmente seus terrenos e residências. A iniciativa, que resulta de um acordo entre a administração municipal e as esferas estadual e federal, prevê a entrega gratuita das escrituras registradas em cartório para os moradores do Residencial Paraíso, Alto Santana e Águas Claras.
O anúncio partiu do prefeito Bruno Morato e do vice-prefeito José Anício de Almeida (Oliveirinha), durante um encontro que contou com a presença da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Aço (ARMVA) — órgão que viabiliza a parceria — e da Versaurb, empresa que ficará a cargo dos serviços técnicos. Juntos, os três núcleos urbanos somam uma extensão de 579.585 metros quadrados a serem regularizados.
Reuniões comunitárias marcam início dos trabalhos
Os primeiros passos do projeto começam já na semana atual, com encontros nos próprios bairros para apresentar o programa à população. Agentes da prefeitura e da Versaurb já percorrem as ruas para conversar com os residentes e incentivar a adesão. O cronograma de reuniões está definido:
Para o prefeito Bruno Morato, a iniciativa vai além da simples entrega de papéis. "Estamos promovendo cidadania, garantindo direitos e protegendo o patrimônio de cada família. É a realização de um sonho que vinha sendo adiado por muitos anos", afirmou.
Com a conclusão do processo, a posse informal dá lugar à propriedade com reconhecimento legal. Cada morador receberá, sem qualquer custo, a escritura definitiva averbada no Cartório de Registro de Imóveis. Esse documento oficial assegura uma série de vantagens:
Os três núcleos escolhidos representam diferentes fases do crescimento urbano de Santana do Paraíso. O Alto Santana é uma das regiões mais tradicionais, com ocupação que acompanhou a expansão do centro da cidade ao longo das décadas. Suas vias íngremes e casas consolidadas abrigam muitas famílias que participaram ativamente da construção da identidade local.
O Residencial Paraíso, ainda lembrado por muitos como "Residencial Minas Caixa", nasceu de programas habitacionais e se desenvolveu paralelamente ao avanço da malha urbana. Seus moradores, em grande parte, aguardam há gerações pela certeza legal de seus lares. Já o Águas Claras é anterior à própria emancipação do município. Localizado próximo a Ipatinga, consolidou-se como polo populacional relevante, acompanhando o dinamismo econômico da região.
O que une esses bairros é a realidade de famílias que ergueram suas casas, criaram vínculos e construíram histórias, mas ainda vivem à sombra da indefinição documental.
O trabalho será conduzido em etapas bem definidas. Começa com os encontros comunitários, onde os detalhes do programa serão explicados e as dúvidas sanadas. Em seguida, a tecnologia entra em cena: sobrevoos com drones vão gerar imagens aéreas para produzir mapas precisos dos lotes, ruas, edificações e espaços públicos.
Paralelamente, técnicos da empresa contratada farão medições físicas, visitando cada imóvel para verificar divisas, áreas comuns e demais particularidades. Essa coleta de dados é essencial para garantir a exatidão do processo. Finalizada essa fase e cumpridas as exigências legais, os documentos serão levados ao Cartório de Registro de Imóveis para a oficialização definitiva.
O prefeito reforça que a colaboração dos cidadãos é o fator-chave para o êxito da empreitada. Ele convoca todos a comparecerem às reuniões, manterem informações atualizadas e multiplicarem o chamado entre vizinhos e parentes. "A adesão de todos torna o trabalho mais ágil e eficiente", concluiu Bruno Morato.