Alta nos casos de violência contra mulheres reforça debate sobre prevenção, autoconfiança e defesa pessoal
Em Minas Gerais, 2025 registrou mais de 157 mil casos de violência doméstica; advogada e praticante de jiu-jitsu destaca importância de reconhecer sinais de relacionamento abusivo; professor de jiu-jitsu ressalta que defesa pessoal começa antes do confronto e envolve percepção de risco e autoconfiança
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O aumento dos casos de violência contra a mulher no Brasil tem reforçado a necessidade de ampliar o debate sobre prevenção, acolhimento e fortalecimento feminino. Dados do Ministério das Mulheres apontam crescimento das denúncias registradas pelo Ligue 180 no primeiro trimestre de 2026, evidenciando que a violência doméstica e de gênero permanece como um dos principais desafios sociais do país. Em Minas Gerais, os números também chamam atenção. Somente em 2025, foram registrados mais de 157 mil casos de violência doméstica e familiar contra mulheres, além de centenas de ocorrências relacionadas a agressões físicas, psicológicas, patrimoniais e sexuais. Para especialistas, além da atuação das forças de segurança, da rede de proteção e dos mecanismos de denúncia, é importante fortalecer ações que contribuam para a autonomia, a autoconfiança e a capacidade de reconhecer situações de risco.
A violência nem sempre deixa marcas visíveis. Advogada e praticante de jiu-jitsu há mais de uma década, a Dra. Thaís Canedo afirma que muitas mulheres ainda associam a violência apenas à agressão física, ignorando sinais que surgem muito antes dos episódios mais graves. “Existem vários tipos de relacionamento abusivo. Muitas vezes tudo começa de forma muito sutil, principalmente na violência psicológica. Quando a mulher percebe, já está envolvida em uma situação mais grave”, explica. Segundo ela, comportamentos de controle, manipulação, isolamento social, humilhação e desvalorização da autoestima costumam estar entre os primeiros sinais. Em meio a esse cenário, modalidades ligadas à defesa pessoal têm atraído um número crescente de mulheres interessadas não apenas em condicionamento físico, mas também em autoconfiança, equilíbrio emocional e sensação de segurança.
Foi justamente essa busca que levou a Dra. Thaís a retomar os treinos em 2025, após anos afastada da modalidade. “Eu moro sozinha com minhas filhas e a questão da defesa pessoal teve peso na minha decisão de voltar. Mas o jiu-jitsu acabou me entregando muito mais do que isso. Ele me ensinou a lidar com situações de pressão, controlar o emocional e confiar mais em mim mesma”, relata. O professor de jiu-jitsu Leonardo Antunes, responsável pela Team Antunes em Coronel Fabriciano, acompanha diariamente mulheres que chegam ao esporte em busca de diferentes objetivos. Para ele, a defesa pessoal não deve ser entendida apenas como reação física a uma agressão. “Muitas pessoas associam defesa pessoal apenas ao confronto, mas ela começa muito antes disso. Ela está relacionada à percepção de risco, à postura, à confiança e à capacidade de tomar decisões sob pressão. O treinamento ajuda a desenvolver essas competências de forma gradual e responsável.” Apesar dos benefícios, especialistas reforçam que o combate à violência contra a mulher depende de atuação conjunta da sociedade, do poder público e dos mecanismos de proteção. O Ligue 180 funciona gratuitamente em todo o país, 24 horas por dia, recebendo denúncias e orientando mulheres em situação de violência. Embora os números evidenciem a dimensão do problema, o enfrentamento passa também pela construção de ambientes que promovam respeito, autonomia e fortalecimento emocional.