A morte do atacante Jaiderson Henrique, de 32 anos, durante uma partida da Copa do Trabalhador na noite de domingo (5), em Bom Jesus do Galho, acendeu um alerta grave sobre a estrutura de atendimento emergencial em eventos esportivos no município. Relatos de testemunhas indicam que não havia ambulância disponível no local no momento em que o jogador passou mal em campo – situação que contraria o que normalmente ocorre em competições desse tipo, onde o suporte costuma ser disponibilizado. Segundo uma fonte que preferiu não se identificar, o socorro demorou a chegar e, quando a ambulância foi acionada, estava apenas com o motorista, sem equipe de enfermagem. Jaiderson chegou a ser atendido ainda no campo, mas não resistiu.
O treinador de futebol, educador físico e personal trainer Eraldo Júnior, que estava em campo e participou do último lance com o atleta, relatou que Jaiderson já apresentava sinais de mal-estar pouco antes de cair. “Ele disse que não estava se sentindo bem e que não enxergava direito. A gente tentou socorrer na hora. Um colega, que é bombeiro, começou a fazer massagem, e a pulsação chegou a voltar”, contou. Segundo Eraldo, o atendimento inicial foi improvisado dentro de campo enquanto o socorro não chegava. “Depois, ele voltou a passar mal. Quando a ambulância chegou, foi levado para o hospital, onde tentaram reanimá-lo por cerca de 40 minutos”, relatou.
O episódio ganha ainda mais gravidade por não ser isolado. Em outubro de 2024, o jovem Victor Gustavo, de 22 anos, também morreu após passar mal durante uma partida de futebol amador no mesmo município. A repetição de casos semelhantes em curto intervalo de tempo evidencia um possível padrão de fragilidade na estrutura de atendimento emergencial, especialmente em competições amadoras.
Conhecido e respeitado no futebol regional, Jaiderson Henrique construiu uma trajetória marcada por dedicação e talento. O treinador Lalado, que acompanhou o atleta desde a infância, destacou: “Era um menino muito disciplinado, dedicado e com grande potencial. Deixa um legado bonito dentro e fora de campo.” Ele também cobrou estrutura adequada: “É preciso ter ambulância no campo. O jogador pode se machucar, quebrar um membro ou passar mal. Não dá para ter jogo sem esse tipo de estrutura.”
Diante da repercussão, cresce a cobrança por apuração rigorosa dos fatos e por medidas concretas que garantam segurança mínima aos atletas. Até o momento, não há informações públicas sobre posicionamento oficial da organização do campeonato ou das autoridades responsáveis.
O corpo de Jaiderson foi velado no ginásio poliesportivo de Bom Jesus do Galho e sepultado em Timóteo.