Celebrado nesta quinta-feira (2), o Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento especializado e da inclusão das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mais do que ampliar o conhecimento sobre o tema, a data convida a sociedade a olhar com mais empatia para as famílias e crianças que vivem essa realidade, mostrando que o cuidado humanizado e multidisciplinar pode transformar trajetórias e abrir caminhos para o desenvolvimento e a autonomia.
O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desafios na comunicação, na interação social e por comportamentos repetitivos ou interesses restritos. Cada pessoa com autismo apresenta características próprias, o que exige abordagens individualizadas.
De acordo com o médico psiquiatra do Hospital Márcio Cunha, Arthur Lobato, compreender essa individualidade é um dos pilares do cuidado. “O cuidado humanizado é muito importante no desenvolvimento e na autonomia da criança, porque cada ser humano responde de uma forma. Não existe um autista igual ao outro, cada um tem suas características, seus interesses e suas formas de se expressar”, destaca. Segundo ele, esse cuidado não envolve apenas os profissionais de saúde, mas também a família, a escola e todos que fazem parte do convívio da criança.
Outro ponto essencial é o diagnóstico precoce. Nos primeiros anos de vida, o cérebro passa por um período intenso de desenvolvimento, o que torna essa fase estratégica para estimular habilidades e favorecer a aprendizagem. “Quanto mais cedo essa criança for estimulada, maior será a capacidade de aprendizado e desenvolvimento”, ressalta o psiquiatra.
Na prática, o tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, reunindo fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, psicomotricistas e, quando necessário, psiquiatras. A tecnologia também tem se mostrado uma aliada, com aplicativos que auxiliam na comunicação e consultas online que ampliam o acesso a tratamentos.
Depoimento de mãe
A auxiliar administrativa Ariadnei Patricia Teixeira, mãe da estudante Luiza Vitória, de 12 anos, diagnosticada aos oito, relata que o diagnóstico trouxe susto e luto, mas com o tempo a família entendeu que os sonhos continuavam, apenas de forma adaptada. “Os desafios foram enormes, desde a aceitação até a busca pelos melhores tratamentos e terapias. A adaptação na escola foi um dos maiores desafios”, conta. Com o acompanhamento especializado, a menina avançou e hoje, no 8º ano, coleciona conquistas como boas notas, participação em atividades e amizades.
Para outras famílias, Ariadnei deixa a mensagem: “Primeiro aceite seu filho da maneira que ele é. Depois ame. E por último lute. O autismo não tem cara, não tem classe social e não precisa ser romantizado. Ele precisa ser levado a sério e respeitado.”
Apesar dos avanços, especialistas e familiares reforçam que ainda há um longo caminho para ampliar a compreensão da sociedade sobre o autismo. Informação, acolhimento e acesso a acompanhamento especializado seguem sendo fundamentais para garantir que cada criança com TEA possa desenvolver seu potencial e viver com dignidade e inclusão.