Há lugares por onde passam trilhos, mas também passam histórias de trabalho, de afeto, de resistência e de reinvenção. Cidades marcadas pelo som do trem, pelo ritmo da indústria e pela vida cotidiana que se constroem ao redor da ferrovia. São nesses territórios que está presente o Projeto Estação — uma iniciativa cultural que entende a fotografia e o audiovisual como linguagens, encontros e pertencimento.
O projeto Estação retrata e valoriza saberes, patrimônios e memórias a partir do olhar de quem vive o território. Jovens de 16 a 25 anos assumem aqui o papel de protagonistas. São eles os grandes artistas do projeto. Com um celular nas mãos, novas ferramentas e sensibilidade no olhar, aprendem através da fotografia a contar histórias — dos lugares e, principalmente, das pessoas que habitam essas localidades.
No Estação, cada fotografia é também um relato. As imagens registram memórias, gestos, ofícios e afetos. Aquilo e aqueles que são fotografados passam a fazer parte da narrativa e suas histórias atravessam todas as etapas do projeto — do levantamento cultural às oficinas, das ruas às exposições, do território físico ao digital.
Um projeto que cria raízes
O Estação não chega, passa e desaparece. Ele permanece. Ao desembarcar e ocupar cidades que margeiam a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) , o projeto se integra ao cotidiano local, constrói vínculos, dá visibilidade para histórias e procura se tornar parte da própria memória de cada território.
Em 2025, primeiro ano do projeto, o Estação percorreu as cidades mineiras ao longo da EFVM, passando por Belo Horizonte, Barão de Cocais, Rio Piracicaba, João Monlevade, Itabira, Nova Era e Antônio Dias. O projeto acontece por meio de oficinas online e presenciais, encontros formativos e muita troca de conhecimento. São 192 horas de atividades, organizadas em oito turmas, com um total de 80 jovens selecionados.
Os participantes recebem um Kit Aluno completo — camisa, crachá, apostila, bloco e certificado — além de bolsas-incentivo, garantindo acesso real e democrático, de forma totalmente gratuita.
Em 2025, o projeto realizou 7 instalações artísticas, 1 exposição de artes visuais, mostra de cinema e roda de conversa, além da produção de uma galeria virtual com 240 fotografias artísticas e 8 curtas-metragens. Mais de 700 visitantes circularam pelas ações presenciais e mais de 8 mil pessoas acessaram os ambientes virtuais.
Segundo ano: o caminho e as transformações continuam
Em 2026, o Estação realiza seu segundo ano, aprofundando relações e ampliando seu alcance. Ao longo do ano, o projeto percorre novamente cidades que margeiam a EFVM. Dessa vez, os municípios de Santa Bárbara, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga, Santana do Paraíso, Belo Oriente, Naque e Periquito recebem a iniciativa, totalizando mais 8 paradas e fortalecendo o vínculo entre juventude, território e memória ferroviária.
Para o idealizador e coordenador geral do projeto, Preto Filho, “ao incentivar jovens a registrar seus territórios e suas pessoas, o projeto constrói um acervo afetivo contemporâneo feito por quem vive a realidade retratada; preserva histórias e fortalece vínculos comunitários; reforça a identidade e constrói pertencimento; e abre caminhos. Afinal, quando o jovem muda o enquadramento, tudo muda”.
A Vale, como concessionária, tem fomentado a aplicação de recursos em iniciativas de alto impacto histórico e social, com projetos que promovem a valorização, documentação e revitalização do legado ferroviário nacional. A atuação conjunta entre a Vale, a Horus e a ANTT fortalece o compromisso com a preservação da memória ferroviária, contribuindo para o desenvolvimento cultural das comunidades.