Discretos, silenciosos e essenciais para o funcionamento do organismo, os rins costumam trabalhar sem chamar atenção. O problema é que, justamente por esse silêncio, muitas doenças passam despercebidas por anos. O alerta ganha ainda mais força nesta quinta-feira, 12 de março, quando é celebrado o Dia Mundial do Rim, que neste ano traz como tema “Cuidar de Pessoas e Proteger o Planeta”, reforçando a importância da prevenção.
Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) apontam que a Doença Renal Crônica afeta uma em cada dez pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 50 mil brasileiros com a doença morram todos os anos antes de terem acesso à diálise ou ao transplante, evidenciando a necessidade de diagnóstico precoce e acompanhamento regular.
No Hospital Márcio Cunha (HMC) , referência no Leste de Minas, os números mostram o impacto do problema. Em 2025, o Centro de Terapia Renal Substitutiva (CTRS) realizou mais de 67 mil sessões de hemodiálise, além de atender 168 pacientes em diálise peritoneal.
A nefrologista do HMC, Dra. Amanda Batista, explica que o grande desafio é justamente a evolução silenciosa da doença. “Os rins têm uma reserva funcional muito grande. Quando surge uma lesão, partes saudáveis compensam a perda. Por isso, muitas vezes a pessoa não sente nada por muito tempo. Quando os primeiros sinais aparecem, normalmente já houve uma perda substancial da função renal”, alerta.
Causas e fatores de risco
As causas mais frequentes são hipertensão e diabetes, que provocam lesões lentas nos vasos do rim. Outros fatores de risco incluem histórico familiar, envelhecimento, obesidade, doenças cardiovasculares, infecções urinárias de repetição, pedras nos rins e uso indiscriminado de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) , que podem causar lesão renal.
Quando os sintomas aparecem – como inchaço, urina com espuma ou sangue, fraqueza, náuseas e perda de apetite –, geralmente já há comprometimento importante da função renal.
Prevenção e diagnóstico precoce
A médica reforça que a prevenção é possível com hábitos simples: alimentação equilibrada, redução do sal, controle do peso, hidratação adequada, atividade física regular e controle rigoroso de doenças como hipertensão e diabetes. “Exames simples, como ureia, creatinina e exame de urina, conseguem mostrar sinais precoces de alteração. Isso permite identificar o problema cedo e evitar que a doença avance”, orienta.
Para pacientes com fatores de risco, o acompanhamento deve ser ainda mais rigoroso. “Quando identificamos a alteração no início, podemos atuar na causa, ajustar hábitos e usar medicações para retardar a progressão. O objetivo é evitar ou postergar ao máximo a necessidade de diálise”, conclui a especialista.