Obesidade avança silenciosamente e se consolida como um dos maiores desafios da saúde mundial

No Dia Mundial da Obesidade, especialistas da Usisaúde e do Hospital Márcio Cunha alertam para a complexidade da doença crônica, que atinge mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e está associada a mais de 150 condições clínicas.

Por
3 Min

Obesidade avança silenciosamente e se consolida como um dos maiores desafios da saúde mundial
FSFX

No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, o alerta sobre a doença ganha ainda mais força. Em um cenário global de transformação nos hábitos de vida, alimentação ultraprocessada e sedentarismo crescente, a obesidade consolidou-se como uma das maiores ameaças à saúde pública mundial, deixando de ser compreendida apenas como uma questão estética e passando a ser reconhecida como uma doença crônica, complexa e multifatorial.

Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo. No Brasil, segundo estimativas do Ministério da Saúde, mais da metade da população adulta apresenta excesso de peso, e cerca de 25% já convivem com obesidade – números em trajetória ascendente que refletem mudanças sociais, econômicas e comportamentais das últimas décadas.

Doença crônica exige acompanhamento contínuo

A nutróloga da Usisaúde, Dra. Juliana Vasconcellos, destaca que a obesidade não pode ser encarada como uma condição passageira. “É uma doença de longo prazo que precisa ser tratada continuamente. Assim como outras doenças crônicas, ela pode entrar em remissão, mas exige cuidado constante, principalmente por meio da mudança do estilo de vida”, explica.

A endocrinologista do Hospital Márcio Cunha, Dra. Priscila Nunes, reforça que o acompanhamento clínico é fundamental. “O diagnóstico vai além do peso. A bioimpedância, por exemplo, permite diferenciar a quantidade de gordura, massa muscular e água no organismo. Além disso, o acompanhamento médico ajuda a identificar fatores que podem ter desencadeado o ganho de peso, como traumas emocionais, ansiedade ou depressão”, ressalta.

Impactos na saúde e estigma social

A obesidade está associada a mais de 150 condições clínicas, como hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, diversos tipos de câncer e apneia do sono. Reduzir a doença a uma questão de escolha pessoal ou falta de disciplina é um equívoco que contribui para o estigma enfrentado por quem convive com ela.

“A perda de peso não depende exclusivamente da força de vontade. Existem alterações hormonais e neurológicas que interferem nesse processo. Por isso, o tratamento adequado e o acompanhamento profissional são essenciais”, pontua a endocrinologista.

As especialistas reforçam que a alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, a qualidade do sono e o manejo do estresse são pilares fundamentais para mudanças sustentáveis. “Hoje existem tratamentos eficazes e diversas estratégias terapêuticas. A obesidade tem tratamento, e buscar ajuda profissional é o primeiro passo para transformar essa realidade”, conclui a nutróloga.


Notícias Relacionadas »
Comentários »
Comentar

*Ao utilizar o sistema de comentários você está de acordo com a POLÍTICA DE PRIVACIDADE do site https://vale24horas.com.br/.