PF desarticula esquema de envio ilegal de migrantes aos EUA em Governador Valadares

Subtítulo: Seis mandados de busca foram cumpridos em Governador Valadares e São Paulo; grupo usava casa lotérica para receber pagamentos e fornecia documentos para simular turismo.

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PF desarticula esquema de envio ilegal de migrantes aos EUA em Governador Valadares
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A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (11) a Operação Sáfaro II, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado no envio ilegal de migrantes ao exterior, com atuação em Governador Valadares e São Paulo. A ação é um desdobramento da primeira fase da operação, realizada em agosto de 2024, que já havia identificado cinco integrantes do esquema e o envio de cerca de 370 pessoas de forma clandestina para os Estados Unidos.

Nesta etapa, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão – quatro em Governador Valadares e dois na capital paulista – além de medidas de sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 164 mil. As investigações tiveram início a partir da análise do material apreendido na fase anterior e confirmaram o envolvimento de novos integrantes ligados ao líder da organização.

De acordo com a PF, esses investigados atuavam em diferentes frentes do esquema criminoso: organizavam a logística das viagens, orientavam os migrantes durante o trajeto no exterior, forneciam documentos para simular condição de turista no desembarque em aeroportos estrangeiros e utilizavam uma casa lotérica em Governador Valadares para receber os pagamentos feitos pelas vítimas, conferindo aparência de legalidade às transações.

Na primeira fase da operação, a Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 35 milhões e foram cumpridos mandados de prisão preventiva e temporária em municípios do leste de Minas . Na ocasião, as investigações apontaram que o grupo atuava no esquema conhecido como "cai-cai", prática em que famílias inteiras – por vezes constituídas ficticiamente – se entregam às autoridades para dificultar a deportação imediata após ingressarem ilegalmente em território americano.

Os levantamentos iniciais revelaram que mais de 300 brasileiros, incluindo cerca de cem crianças e adolescentes, emigraram ilegalmente com o auxílio da associação criminosa, atravessando a fronteira mexicana expostos a riscos no deserto e à ação dos coiotes .

Os investigados nesta nova fase poderão responder pelos crimes de promoção de migração ilegal, ameaça e outros delitos que venham a ser identificados no decorrer das apurações. As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal em Minas Gerais.


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