Professores de Ipatinga decidem entrar em greve por tempo indeterminado

A principal reivindicação da categoria é a reintegração dos professores que foram demitidos

Por Redação-
3 Min

Professores de Ipatinga decidem entrar em greve por tempo indeterminado
Foto: divulgação

Os professores da rede municipal de ensino de Ipatinga decidiram, em assembleia realizada nessa terça-feira (3), entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima terça-feira, 10 de junho. A paralisação é uma resposta ao processo de demissão em massa deflagrado pela Prefeitura Municipal.

Reivindicação Principal

A principal reivindicação da categoria é a reintegração dos professores que foram demitidos pela administração municipal. Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), as demissões ocorreram após as manifestações da categoria em defesa do pagamento do Piso Salarial Nacional.

Crise na Educação Municipal

Isaura Carvalho, diretora da Subsede do Sind-UTE em Ipatinga, descreve a situação atual como uma "crise na educação" no município. "A lei do piso não é cumprida e os trabalhadores recebem abaixo do mínimo estabelecido, em grave arrocho salarial, recebendo um dos piores salários da região. Faltam muitos profissionais nas escolas, gerando desvios e sobrecarga de trabalho; ausência de concurso público, com grande número de profissionais contratados em situações precárias", salientou Isaura.

Demissões como Retaliação

A diretora do Sind-UTE/MG afirmou que as demissões são uma retaliação às manifestações da categoria. "A categoria realizou uma manifestação legítima, em uma greve de 48 horas, exigindo a retomada de negociações e respeito aos direitos da categoria. A resposta do governo foi a demissão em massa e legalmente injustificada, o que representa um ataque aos direitos e à dignidade dos profissionais", sublinhou Isaura Carvalho.

Greve como Última Alternativa

Para Isaura Carvalho, a paralisação das atividades é a única alternativa que restou aos educadores diante do que ela classifica como "cenário de total desrespeito", que inclui perdas salariais, falta de profissionais, mau uso dos recursos da educação, arbitrariedades e demissões por perseguição política.

A diretora defendeu a greve como uma medida "legítima, necessária e urgente" frente ao que considera descaso do governo de Ipatinga com a educação pública e seus profissionais. Ela finalizou com um apelo: "É necessário que o governo proceda a reintegração dos profissionais demitidos e cesse os ataques ao direito de organização da categoria e retome, de fato, as negociações das reivindicações da categoria. A nossa luta é por nós, pelos nossos estudantes e por toda a sociedade."

Prefeitura de Ipatinga se Manifesta

Em resposta à decisão dos professores, a secretária de Educação de Ipatinga, Ana Cristina Abreu, afirmou que a administração municipal mantém um diálogo aberto com a categoria. "Temos mantido um canal de diálogo constante com os representantes dos profissionais da educação e seguimos abertos à construção conjunta de soluções. Só nos últimos dias, realizamos dois encontros com o sindicato da categoria, demonstrando nossa disposição em ouvir e buscar caminhos equilibrados", declarou a secretária.

Ana Cristina Abreu ressaltou que, embora a Secretaria de Educação acompanhe as manifestações com atenção, ainda não recebeu uma comunicação formal sobre a decisão de paralisação. "Reafirmamos nosso compromisso com a valorização dos servidores e com a qualidade da educação pública, sempre respeitando os limites legais e a responsabilidade fiscal que norteia a gestão", concluiu a secretária.


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