13/05/2026 às 11h56min - Atualizada em 13/05/2026 às 11h08min

Taxa das blusinhas some às vésperas da eleição e Brasília descobre, de repente, que o povo existe

A taxa, que cobrava 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares além do ICMS

Sandro Sagar

Sandro Sagar

Jornalista Político e Especialista em Negócios e colunista

Sandro Sagar - vale24horas.com.br

Existe uma regra silenciosa na política brasileira: perder eleição é proibido. O resto… se ajeita depois.

E talvez poucas situações representem tão bem isso quanto o recuo do governo na famosa “taxa das blusinhas”. Depois de defender a cobrança durante meses, repetir discursos sobre proteção da indústria nacional, equilíbrio fiscal, defesa do comércio brasileiro e justiça tributária… agora, de repente, a história muda.

Milagrosamente, o imposto já não parece tão importante assim.

A taxa, que cobrava 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares   além do ICMS   atingiu em cheio justamente quem mais comprava nesses sites: a população de renda mais baixa, que recorria às plataformas internacionais para tentar economizar alguns reais numa roupa, num acessório ou em produtos básicos do dia a dia.

Na época, o discurso era bonito.

Diziam que era para proteger empregos. Defender a indústria nacional. Equilibrar concorrência. Organizar a economia. Tudo embalado naquele tradicional português técnico de Brasília que parece sofisticado até o boleto chegar.

Agora, curiosamente, perto da eleição, a conversa muda.

A mesma taxa que era “necessária” passa a ser “desnecessária”. O mesmo imposto defendido como estratégico vira problema político. E aquilo que antes era tratado como questão econômica agora aparece embalado como gesto de preocupação social.

Coincidência? Claro… e eu sou piloto de foguete da NASA.

A verdade é simples: quando a popularidade balança, Brasília entra em modo emergência.

E não para por aí.

Junto com o recuo da taxa das blusinhas, começam a surgir anúncios, promessas, pacotes, investimentos e discursos fortes sobre segurança pública. Tudo com aquele velho roteiro conhecido do eleitor brasileiro: muito anúncio, muita coletiva, muita manchete… e pouco tempo para resultado real.

Porque segurança pública não muda em meia dúzia de meses. Assim como economia não melhora só porque alguém decidiu reduzir um imposto que nunca deveria ter pesado tanto no bolso do povo.

Mas eleição… ah, eleição exige movimento.

Enquanto isso, a Petrobras segura combustível, o governo evita reajustes impopulares e as contas públicas vão sendo empurradas com a barriga na esperança de atravessar o calendário eleitoral sem grandes turbulências.

No fim, fica difícil não perceber o padrão.

Quando o desgaste cresce, o discurso muda.
Quando a rejeição aumenta, aparece “sensibilidade social”.
Quando o voto entra em risco, nasce uma súbita preocupação com o bolso do brasileiro.

E talvez essa seja a parte mais irônica de tudo.

Não foi a população que mudou de opinião sobre a taxa das blusinhas.

Foi a política que percebeu que insistir nela poderia custar caro demais.

Porque em Brasília existe uma coisa considerada imperdoável:

Perder eleição.

O resto sempre encontra uma justificativa depois.

Coluna – Sandro Sagar | Vale24horas

Leia Também »